Reúne projetos que investigam o fenômeno artístico a partir de sua relação com a instância cultural, em dupla vertente: 1) ao abordar o problema da recepção e trânsito de objetos, práticas, teorias e tradições artísticas dentro da nova geo-história da arte; 2) ao lidar com a questão da incorporação do problema da alteridade no discurso crítico e historiográfico, especialmente a partir de objetos, temas e questões usualmente associados ao campo antropológico, tais como objetos artísticos e etnográficos, arte e ritual, arte e vida, entre outros. Assim, a linha compromete-se com epistemologias e métodos investigativos que façam confluir diferentes objetos, sistemas de pensamento, agentes, instituições, tradições culturais e artísticas, modos de ação e reflexão (pesquisar, colecionar, exibir, ensinar, escrever, editar, criar, interpretar etc.).

Docentes


Doutor em Artes Visuais pela UFRJ (com estágio de pesquisa na École des Hautes Études en Sciences Sociales). Professor da Escola de Belas Artes da UFMG, lecionou anteriormente no Instituto de Artes da UERJ, no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Pesquisador do PROARQ-UFRJ, vinculado ao Laboratório de Narrativas em Arquitetura (LANA). Dirigiu o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e foi editor-chefe da revista Dasartes. Como curador, realizou diversas exposições de arte moderna e contemporânea brasileira no país e no exterior dentre as quais: Europalia - Art in Brazil, 1950-2011, módulo anos 1960-1980 (Bruxelas, 2011), Alternative Orders (Lillestrom, Noruega, 2012), Mapa do Agora (São Paulo, 2002). Publicações selecionadas: A Teoria como projeto (2007), Antonio Manuel - Eis o saldo: textos, depoimentos e entrevistas (2010), Conversas com críticos e curadores (2013). Contribui regularmente com textos para catálogos, livros e periódicos especializados.

PROJETO DE PESQUISA:
1. A CONSTRUÇÃO DO ESPECTADOR MODERNO - A pesquisa investiga os processos de estruturação das narrativas historiográficas modernas, discutindo seus conceitos-chaves, modos de operação, textualidades e camadas discursivas. Nesse âmbito, para além do exame retrospectivo, interessa-nos examinar tanto a noção de temporalidade implícita a ideia de "moderno" e "modernidade" quanto os deslocamentos de categorias dos manifestos e críticas para os textos de uma historiografia "oficial" da arte e arquitetura dos séculos XIX e XX. Como recorte, trabalha-se os intercâmbios entre Europa, América do Norte e Brasil.

2. CRÍTICA DE ARTE NO RIO DE JANEIRO NAS DÉCADAS DE 1930 E 1940 - Através da recuperação de textos em livros, jornais e revistas em circulação no período do Entre-Guerras, bem como o levantamento de bibliografias estrangeiras em circulação na cidade, busca-se desenhar um cenário mais complexo da formulação e debate de ideias acerca do modernismo, observando a um só tempo questões como: o estatuto do crítico como uma figura para além do diletante; recepção, apropriação e reinterpretação de ideias; o "moderno" na ordem do cotidiano. o objetivo é desenhar um panorama que convoque referencias que não apenas os marcos (Salão de 1931, Edifício do Ministério da Educação e Saúde Pública) e personalidades (Lucio Costa, Mario de Andrade, Mario Pedrosa), mas sim a pluralidade de agentes.

Marcelo Campos

Professor Associado do Departamento de Teoria e História da Arte e dos Programas de Pós Graduação em Artes e História da Arte do Instituto de Artes da UERJ. Curador Chefe do Museu de Arte do Rio. Doutor em Artes Visuais pelo PPGAV da EBA/UFRJ. Desenvolveu tese de doutorado sobre o conceito de brasilidade na arte contemporânea. Curador das exposições, entre outras: Casa Carioca, em co-curadoria com Joice Berth, 2020, no MAR; À Nordeste, em co-curadoria com Clarissa Diniz e Bitu Cassundé, no SESC 24 de maio, 2019; O Rio do Samba: resistência e reinvenção, em co-curadoria com Evandro Salles, Nei Lopes e Clarissa Diniz no MAR, 2018; Bispo do Rosário, um canto, dois sertões, no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, em 2015. Autor do livro: Escultura Contemporânea no Brasil. Salvador: Editora Caramurê, 2016.

PROJETO DE PESQUISA:
NAS FRONTEIRAS DA ARTE: REFLEXIVIDADES CONTEMPORÂNEAS
Descrição: Este projeto propõe estudos e a análises sobre reflexividades do objeto de arte. Buscam-se em distintas imagens e narrativas as condições que fundamentam objetos e sujeitos numa suposta arte contextual. A antropologia nos alerta que a ação artística está circunscrita a ethos e visões de mundo: etnicidades, gêneros, pós-colonialismos. O artista assume instâncias de produtor de gestos e assume a emissão da autoria, a partir de pertencimentos socioculturais.

Projetos de extensão: Arte e Curadoria
Descrição: A ideia do projeto Arte e Curadoria é congregar profissionais, docentes, discentes e o publico em geral em ações que envolvam a elaboração de eventos e exposições de arte. Com isso, a profissionalização das atividades curatoriais será discutida em ações, não somente em estudos sistemáticos, que possam promover eventos dentro e fora do Rio de Janeiro. Além de análise, crítica e discussão sobre exposições em cartaz, teremos a elaboração de propostas curatoriais ativando capilaridades em espaços institucionais e independentes.

Projetos de extensão: Arte e cultura em contextos universitários
Descrição: Este projeto tem como interesse principal criar relações e promover eventos e parcerias entre as áreas de arte e cultura das universidades. Com isso, propomos ações que levem ao conhecimento amplo a configuração dos equipamentos e das ações culturais em contextos universitários.

Projetos de extensão: Arte e Afrobrasilidade
Descrição: A ideia do projeto de extensão Arte e afrobrasilidade é realizar atividades extensionistas que levem em consideração as questões ligadas às heranças africanas na arte brasileira. Com isso, ao realizar ações que expandam as fronteiras da Universidade para contextos como, populações quilombolas, terreiros, ateliês e oficinas de artistas e artesãos, reuniões de coletivos de arte, poderemos criar levantamentos que possam ampliar o conhecimento da arte em torno das relações identitárias e ativistas.

Maria Berbara

Maria Berbara é doutora pela Universidade de Hamburgo e ensina História da Arte na UERJ desde 2005. Especializou-se em arte italiana e ibérica produzida entre os séculos XV e XVII, assim como em história cultural, globalismo na Primeira Época Moderna e intercâmbios intelectuais no mundo atlântico. Atualmente pesquisa a história da França Antártica, a imagem global dos Tupinambá e a relação entre arte, doenças e processos de conversão no mundo atlântico durante a primeira modernidade. Seus projetos individuais e coletivos de pesquisa foram financiados pela Fundação Getty, Villa I Tatti, DAAD/Alemanha, INHA/Paris, Fapesp, Faperj, CNPq e Capes. É procientista e bolsista de produtividade do CNPq.

PROJETO DE PESQUISA:
CIRCULAÇÃO ARTÍSTICA E CULTURAL ENTRE A ITÁLIA, A PENÍNSULA IBÉRICA E AS AMÉRICAS DURANTE A PRIMEIRA ÉPOCA MODERNA
Descrição: Os objetivos centrais deste projeto são a investigação da recepção da tradição clássica durante a primeira época moderna, bem como do trânsito de linguagens artísticas entre Itália, a Península Ibérica e América Latina nesse período. Oriento teses e dissertações nos seguintes campos: edição e tradução, ao português, de fontes fundamentais da literatura histórico-artística produzidas entre os séculos XV e XVII; pesquisas sobre a tradição clássica, e investigações que considerem a circulação de linguagens artísticas, discursos, livros e objetos de arte entre diferentes zonas do globo. Temas de interesse mais específico são a representação do sacrifício no mundo atlântico durante a primeira modernidade; a história cultural das pandemias, com ênfase no continente americano durante os séculos XVI e XVII; a França Antártica e seus desdobramentos; o conceito de império e suas translações, e a imagem global dos Tupinambá.

Maurício Barros de Castro

Doutor em História pela Universidade de São Paulo (2007), é professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Seus interesses de pesquisa focalizam as artes visuais (moderna e contemporânea) e suas conexões com as culturas populares, a diáspora africana e as relações étnico-raciais. É autor e organizador de diversos livros sobre arte e cultura e possui artigos publicados em periódicos internacionais, como Studies in Visual Arts and Comunication (2019), AM Journal of Art and Media Studies (2018) e African and Black Diaspora (2016). Foi curador, com Analu Cunha e Marcelo Campos, da exposição ESQUELE70 (2019-2020), realizada no Museu do Paço Imperial, no Rio de Janeiro. A exposição coletiva celebrou os 70 anos da UERJ e reuniu estudantes, professores e outros artistas contemporâneos, como Hélio Oiticica, Carlos Vergara, Raul Mourão, Cristina Salgado, Marcos Chaves, Luiza Baldan e Ricardo Basbaum. A exposição também homenageou a antiga Favela do Esqueleto, onde a UERJ nasceu.

PROJETO DE PESQUISA:
INTERCÂMBIOS: ARTE CONTEMPORÂNEA E CULTURA POPULAR
O projeto aborda os intercâmbios, mediações, negociações, tensões e conflitos entre os campos da arte contemporânea e da cultura popular. Analisa o impacto destes intercâmbios na produção artística contemporânea e focaliza o movimento de busca do artista por um campo antropológico para produção de suas obras, o seu deslocamento dos ateliês para a realidade social. Assim, é possível traçar novos itinerários onde ocorrem esses intercâmbios e ações políticas. O objetivo principal do projeto é refletir sobre as representações do outro, as relações étnico-raciais, as políticas da alteridade e o impacto da cultura popular nos diversos circuitos artísticos, transitando entre o local e o global.

Vera Beatriz Siqueira

Estudo dos nexos existentes entre o processo estético e os demais processos de construção e transformação do real contemporâneo, de maneira a investigar os mecanismos de juízo e legitimação que caracterizam o sistema de arte e hierarquizam as posições dos trabalhos, bem como as formas de contaminação entre a arte e a sua institucionalização.

PROJETO DE PESQUISA:
ESTILO E INSTITUIÇÃO: ARTE E CULTURA CONTEMPORÂNEA NO BRASIL
O foco central desta pesquisa é a análise das estratégias e dos efeitos da institucionalização da arte moderna e contemporânea no Brasil, a partir do estudo de casos de e artistas significativos para a visualidade contemporânea no país. Este tema se apresenta, no quadro atual dos estudos sobre arte, de forma contraditória. De um lado, associa-se à investigação da notória precariedade de nosso sistema cultural, cujo atraso frente à modernidade internacional vem sendo sobejamente estudado por nossa historiografia da arte. Por outro lado, podemos perceber ligações entre a tal precariedade institucional e a carência de análises materiais das linguagens de nossos artistas modernos e contemporâneos. O projeto pretende investigar os nexos existentes entre o processo estético e os demais processos de construção e transformação do real contemporâneo, a partir da investigação dos mecanismos de juízo e legitimação estéticos que caracterizam o sistema de arte e hierarquizam as posições dos trabalhos e seus efeitos concretos na elaboração das obras. A pesquisa vincula-se ao Grupo de Pesquisa do CNPq “Núcleo de Livres Estudos de Arte e Cultura Contemporânea”.

Grupo de pesquisa: NUCLEAR – Núcleo de Livres Estudos de Arte e Cultura Contemporânea - Líder